sábado, 22 de abril de 2017

Acasos felizes (Serendipity`s footsteps)

Gostei. Três estórias que se entrelaçam de forma harmoniosa. Umas mais tristes do que outras, como é inevitável. Apesar de já ter lido muitos relatos sobre os campos de concentração nazis, nunca deixo de ficar chocada com a bestialidade (de besta) praticada e também com a prova (mais uma) de que não existe nenhum deus, pois se existisse, como poderia permitir tais atrocidades? Mesmo assim, no meio de tanto horror, há sempre quem consiga ter gestos de grande nobreza. Por isso e não só, vale a pena ler este livro.

domingo, 9 de abril de 2017

Vidas esquecidas (Necessary lies)

É uma estória interessante, sobretudo porque se baseia em factos reais. O Programa de Eugenia para a esterilização, visto agora, pode ser chocante, mas na época, as assistentes sociais recomendavam-no com as melhores das intenções. O problema é que começou a ser aplicado de forma indiscriminada, basta ver os critérios que eram utilizados. Sou a favor da esterilização em casos clínicos e até sociais, muito específicos, como no caso da Mary Ella . Qual era a alternativa? Deixá-la ter criança atrás de criança, tendo ela e o filho um atraso mental significativo? Pois, é complicado.
  Gostei da descrição do trabalho de assistente social da época, que não deve ser muito diferente daquilo que fazem agora. Além de terem que lidar com situações extremas de miséria humana, ainda têm que enfrentar a hostilidade de quem tentam ajudar, nalguns casos até correndo risco de vida. Jane, apesar de toda a sua  vontade, não era uma boa assistente social, enredou-se demais com a família de Ivy e acabou por sofrer as consequências. A autora retrata muito bem a miséria  da América rural dos anos sessenta, que na essência é igual à que se viveu em Portugal. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

O anjo da morte (Side and Seek)

Depois de ter sido injustamente detida (ler o livro "Na boca do Lobo"), a inspetora-detetive Helen Grace tenta, a todo o custo, ilibar-se. Não é uma tarefa fácil pois ela encontra-se presa e tem uma única aliada no exterior. A vida de Helen na prisão é um verdadeiro inferno e, tendo em conta que se trata de uma polícia caída em desgraça, as coisas só podem piorar. A descrição das rotinas das presidiárias, bem como as de todo o pessoal que trabalha na prisão, está muito bem conseguida e é simplesmente assustadora. Livra, que cenário dantesco! Finalmente, no final deste livro, é feita justiça a Helen, mas nada pode apagar o que penou na prisão. Gostei do protagonismo assumido pela detetive Charlie Brooks. Sempre achei que era uma personagem que tinha mais potencial. 

domingo, 5 de março de 2017

A pequena leitora

Adoro esta "leitora", confeccionada pela minha irmã em E.V.A, que assentou acampamento cá em casa... 

 Reparem nos detalhes: os livros, a agulha de tricotar, o novelo de lã e até a rolinha, que anda à solta aqui por casa (mas que nunca se aproximou dos meus livros... há limites que não podem ser ultrapassados ehehe).
 Estas estantes, ao contrário das minhas, ainda têm espaço para muitos livrinhos.

sábado, 4 de março de 2017

Na boca do lobo (Little boy blue)

Uau! A capa do livro não engana. É mesmo "um thriller policial alucinante". Foi muito difícil parar a leitura, para ir fazer as minhas obrigações (eu sempre disse que o trabalho ideal para mim, seria o de leitora). A inspetora-detetive Helen Grace vê-se, mais uma vez, a braços com uma série de homicídios intrigantes e invulgares. O que ela não contava é que .... e pronto, não vou dizer mais nada, ahaha... O que me irritou neste livro? As ações nada éticas da jornalista Emília Garanita e até do resto da matilha de jornalistas sensacionalistas. Mas, se pensar bem, é o que acontece na vida real. Basta ligar a tv para ver notícias que não passam de especulações ou da devassa da vida de cada um... informações fidedignas praticamente não há. É o que vende, não é? E o nível vai descendo ... Suspeito que um jornalista sério tenha muitas dificuldades em sobreviver.
Já comecei a ler a continuação deste e vou bem lançada (até na fila do supermercado aproveitei para ler um bocado ahahah). Não há dúvida, apesar de gostar de diversificar as minhas leituras, eu sou do team dos policiais e dos thrillers ... até nas séries que escolho seguir (praticamente, só vejo a Fox Crime... será que há uma detetive frustrada em mim? Bem, há décadas, quando me licenciei em Química e ainda não se falava em CSI, o que eu queria era ser investigadora forense, mas depois segui outra área... cá está, pecados antigos projetam sombras longas ahahahaha). Boas leituras!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Tão bonita

... esta orquídea, que mora na minha cozinha. E pensar que houve uma época em que não dava nada por ela, já que era apenas uma visão de tronquinhos enfezados e moribundos. Mas agora, agora ergue-se em toda a sua beleza, desafiando o meu julgamento.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Uma mulher no topo do mundo

Quando comecei a ler este livro, presente de aniversário, pensei que se tratasse de uma estória de viagens, superação no desporto, etc. Afinal, é também e sobretudo, a estória de uma portuguesa que decidiu ajudar as pessoas de um bairro da lata no Bangladesh. Custa a crer que alguém, nos tempos que correm, sacrifique tudo para ajudar perfeitos desconhecidos... ainda para mais, quando ninguém lhe pediu ajuda e não quer a sua ajuda. 
Impressionou-me a sua resiliência perante tantos obstáculos, sobretudo sabendo que não era bem vinda no tal bairro. Foi roubada pelos seus colaboradores locais, explorada por outros tantos, denegrida pelos que pretendia ajudar e, mesmo assim, não desistiu. Tão grande era o seu empenho que, embora tendo uma má preparação física, treinou duramente e conseguiu a faceta de escalar o Evereste! O objetivo era chamar a atenção para o seu projeto e angariar dinheiro. O esforço não foi devidamente recompensado, o que a levou a correr maratonas e mais maratonas. Enfim, é o projeto de vida dela. É difícil de entender tal sacrifício, tendo em conta o feedback obtido (pouca gente grata por todo o seu esforço).
Penso que o choque cultural é uma realidade, não vale a pena estar com tretas. Quando queremos ajudar, acabamos por impor (ainda que inconscientemente e na melhor das intenções) a nossa cultura aos outros. Mas então, como é que podemos ajudar? Sinceramente, não sei. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O que encontrei por aqui

Estava a limpar as minhas estantes, quando encontrei estes dois livros. Nem me lembrava deles. A verdade é que, quando preciso de uma receita, consulto a internet e seleciono, das muitas opções, aquela que mais me convém. Já há muito tempo que não consulto um livro de culinária, de modo que foi com verdadeiro deleite que revi as fotografias dos vários pratos. Até selecionei alguns para confeccionar. Vamos lá ver ...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A morte usa uma máscara de beleza (Death wears a beauty mask and other stories)

Bela coletânea de contos de mistério. Reencontrei a autora que me cativou há uns anos atrás. Li um conto por noite e fiquei cheia de pena quando o livro chegou ao fim. Só não gostei muito do último e nem sei bem dizer porquê.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Regressar (Forgotten)

Entretém e até me conseguiu arrancar umas boas gargalhadas. No entanto, para ser sincera, é uma daquelas estórias de que nunca mais me irei lembrar. Gostei do início mas achei que o desenvolvimento foi muito pobre, muito cheio de diálogos e situações da treta. Enfim,  até a capa é enganadora.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O livro do Hygge (The little book of hygge)

Há dois livros, de autores diferentes, sobre este assunto. Escolhi este porque foi escrito pelo presidente do Happiness Research Institute (nem sequer sabia que existia tal coisa). Já agora, que belo trabalho ele tem, descobrir o que faz as pessoas felizes. O livro tem umas fotos espetaculares, mesmo hygge. Em si, o conteúdo não tem nada de novo, mas é interessante ler sobre os hábitos e cultura de um povo, que é considerado o mais feliz da Europa. Do que mais gostei, foi do facto das pessoas gostarem de apreciar a vida e não se culpabilizarem por tal. Por aqui, faz-me confusão ver as pessoas numa espécie de competição sobre quem é mais escravizado, como isso fosse motivo de orgulho nacional (pois a mim, só mostra o quão atrasados somos).
Têm das cargas fiscais mais pesadas da Europa, mas têm também a melhor qualidade de vida. Porque será? Algo me diz que tem a ver com facto de a sua classe política não ser corrupta, o que significa que os impostos servem o povo e não os interesses particulares de uns ****. O próprio autor do livro, afirma que é esta tranquilidade de saber que as necessidades básicas estão satisfeitas, aliada a horários de trabalho que permitem o tão falado equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, que torna as pessoas disponíveis para desfrutarem a vida. 
Ora bem, eu também tenho momentos hygge. Ainda hoje, after work, fui dar uma espreitadela à livraria do burgo e depois degustar um capuccino e uma fatia de salame (divinal). Mas não pensem que sempre foi assim. Eu também estava formatada para sentir culpa, caso não estivesse sempre a trabalhar ou então por não andar sempre infeliz ... até que descobri que ser infeliz requer muito mais energia do que tentar ser feliz. Como me treino (processo contínuo) para percecionar a realidade de outro ponto de vista, a minha vida também melhorou. Não tenho mais dinheiro, o meu trabalho continua a ser desgastante e sem perspetivas nenhumas, algumas pessoas com quem tenho que lidar esgotam-me (pessoas tóxicas, conhecem?) mas... sinto-me melhor, com mais apreço pelas coisas que me fazem sentir bem. É claro que também tenho os meus dark days, mas isso só me ajuda a valorizar ainda mais o meu esforço para desfrutar a vida. Posto isto, fiquei com vontade de conhecer a Dinamarca (e eu que não tivesse vontade de ir passear, eheheh).

Um dos meus kit hygge, presente de aniversário da mana, exceto o livrinho (presente de mim para mim). Falta o chocolate e os scones para o completar (fica aqui a dica para a próxima vez). 



domingo, 29 de janeiro de 2017

Velhos amigos...

... grandes amigos! Estou a referir-me aos meus livros. Sempre presentes na minha vida desde sempre e, assim o desejo, para todo o sempre. Abriram-me horizontes, fizeram-me sonhar e tantas vezes apaziguaram-me a mente e o espírito.
Na minha bagagem há sempre um livro. Até posso nem ter tempo de o ler, mas sabê-lo lá, faz-me bem. 
Embora seja muito apegada aos meus livros, gosto de emprestá-los (já fiquei sem alguns...). Na minha opinião, são demasiado preciosos para ficarem estagnados numa prateleira... devem circular e enriquecer as vidas de outras pessoas... desde que regressem ao lar eheheh. 

sábado, 28 de janeiro de 2017

Reflexão

Hoje comecei a ver a sétima temporada de "Blue Bloods", uma série policial que muito aprecio. Neste primeiro episódio, o detetive Danny Reagan volta a ser aquilo a  que eu chamo "saco de pancada desta sociedade hipócrita". É certo que se trata de ficção, mas também é certo que se trata de uma ficção que imita a realidade em muitos aspetos. O certo e o errado deixam de existir quando o que está em causa é a política, todos aqueles joguinhos para se ficar bem visto perante a opinião pública e apresentar serviço, como se costuma dizer. Todos nós já sentimos isto na pele. É claro que, com o passar do tempo, vamos ganhando uma espécie de armadura contra a parvoíce. Quanto a mim, a questão fundamental não é, tal como o comissário Reagan disse ao filho, saber se podemos aguentar mais (por mim, sei que posso) mas sim saber se estamos dispostos a fazê-lo (por mim ... ...).


sábado, 21 de janeiro de 2017

Pequenas grandes mentiras (Big little lies)

O que é que realmente sabemos da vida das outras pessoas? Quando vemos as publicações nas redes sociais, só sorrisos e fotos estrategicamente tiradas, somos levados a pensar que a vida dos outros é mais interessante do que a nossa. Mas será? Quantas vezes essas publicações não serão uma tentativa de combater a solidão e camuflar as mágoas? Este livro fez-me refletir sobre isso (não é que já não o tenha feito várias vezes... eu sei, posso ser um bocado masoquista eheheh)  e sobre o esforço que cada um de nós faz para apresentar uma melhor versão de si mesmo ao mundo. E este esforço é louvável, permite uma convivência civilizada na maioria das vezes. O problema é quando, durante todo este processo, nos perdemos de nós mesmos, daquilo que nos torna únicos e nos faz felizes mesmo sem o sabermos. A estória está muito bem contada e não fiquem a pensar que é deprimente, porque não é. Tem um registo humorístico muito bem conseguido. Gostei muito! Obrigada Dora, por me teres emprestado este livrinho. 

domingo, 8 de janeiro de 2017

A minha nova série favorita

Grantchester é a minha série favorita no momento. Tem como protagonistas um vigário e um detetive. A ação decorre algum tempo depois do final da Segunda Guerra Mundial, cerca de sete anos, mas as vivências da mesma ainda estão muito presentes na vida de todos, dos que foram para a guerra e dos que ficaram, combatendo numa guerra diferente. A ação decorre numa zona rural, com umas paisagens fabulosas, um verdadeiro regalo para a vista. Não sei explicar porquê, mas acho esta série reconfortante... tem aventura, comédia e drama. A violência também marca presença, afinal, é uma série policial. Em cada episódio, há sempre um crime ou um mistério para resolver. No entanto, não há uma exploração tão chocante e, até doentia, dessas situações como acontece noutras séries (estou a lembrar-me de Chicago Pd, por exemplo). Além do vigário e do detetive, temos outras personagens marcantes e presentes em quase todos os episódios. São elas: o ajudante do vigário (dizem que é gay, acho que era considerado crime na época), a governanta (muito resmungona mas com um coração de ouro), a família do detetive (mulher e quatro filhos pequenos) e uma amiga (ex-namorada?) do vigário. Vale a pena ver!



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Sapatinhos de chocolate ( Chocolat shoes and wedding blues)


Comecei a ler este livro no verão e, ao fim de algumas páginas desisti. Não era o tipo de estória que me apetecia ler naquele momento. No fim-de-semana do Ano Novo, lio-o de "fio a pavio" e gostei. É por isso que, embora tenha uma caixa (a da foto) cheia de livros por ler (são duas filas de livros) e mais alguns estacionados em vários pontos da casa, por vezes, o que me apetece ler é precisamente aquele que não tenho! Sempre acreditei que a leitura deverá ser uma atividade prazeirosa e, como tal, haverá um livro adequado a cada estado de espírito. 
Esta é uma estória que entretém, assim levezinha e bem humorada e que nos dispõe bem. Uma espécie de "Cinderela" dos tempos modernos. Gostei muito das descrições da aldeia, da loja, das comidinhas preparadas pela nossa protagonista e até das suas roupas. Eu, que acabo por ser muito monocromática no inverno, fiquei com vontade de usar roupas mais coloridas... acho que isso também contribui para melhorar a nossa disposição.
 Fui dar uma volta pelos saldos e não resisti a esta caixa. Além de gira, é prática para guardar livros ou outras coisas (mais gira do que os alguidares de plástico, que eu às vezes uso para esse fim, eheheh).