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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Uma questão de classe (Different Class)

Gostei bastante! Mesmo depois de tantos livros que já li desta autora, continuo a surpreender-me com a sua versatilidade, com a sua capacidade de agarrar num acontecimento banal ou horrível e   transformá-lo numa estória que vale a pena ser lida. Neste caso, a estória é contada a duas vozes, o que nos permite ter perspetivas diferentes dos mesmos acontecimentos. Uma das vozes pertence a um velho professor de uma escola de elite e a outra a um dos alunos. Logo após as primeiras páginas, fiquei cativada pela narrativa do professor. É tão atual, talvez porque os problemas das pessoas acabam por ser sempre os mesmos, embora com roupagens diferentes, e identifico-me tanto com o seu discurso que é quase como se ele tivesse entrado na minha cabeça. Ao mesmo tempo, é comovente assistir a uma espécie de luta entre o bem e o mal (sempre presente nos livros da Joanne Harris), embora a fronteira entre estes dois opostos esteja um pouco esbatida. Gostei tanto de alguns trechos que, se este fosse um book e não um ebook e, apesar de não ser um hábito meu, teria sublinhado algumas frases com um marcador daqueles bem "espampanantes" (rosa choque eheheh).
Boas leituras!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Aroma das Especiarias (Peaches for monsieur le curé)

"Por vezes, cometem-se erros. Mas seguir regras sem pensar, fazer o que nos dizem, como crianças, não me parece que essa ideia venha de Deus. Vem dos que usam Deus como desculpa para fazer com que os outros lhes obedeçam. (...) E não acredito num Deus que queira testar as pessoas até ao ponto da destruição ou que brinque com elas como um rapazinho brinca com formigas."

Impressões
Mais uma vez, Vianne é chamada a fazer a sua magia, a usar o seu bom senso para restaurar o equilíbrio em Lansquenet-sur-Tannes, cenário do primeiro livro ("Chocolate", lembram-se?). Esta estória retrata a realidade, mostra as pessoas como elas são (a maioria, claro): umas verdadeiras hipócritas. Os poucos que pensam pela sua própria cabeça correm riscos vários e nem sempre têm um final feliz.  Também desta vez, encontramos sedutoras referências à doçaria, especialmente no que diz respeito ao chocolate. 
O final da estória não é conclusivo. Fica ao critério de cada leitor imaginar o que virá a seguir. Eu, eu tenho esperança de que Vianne nunca deixe de "montar o vento".

domingo, 30 de março de 2014

Um gato, um chapéu e um pedaço de cordel (A cat, a hat and a piece of string)

"Crianças de vida difícil e coração vibrante, fantasmas domésticos, velhas senhoras em busca de aventura, uma paixão impossível sob os céus de Nova Iorque, a improvável magia de uma sanduíche, as extravagâncias a que a saudade obriga ..."

Impressões
O que me atraiu neste livro, assim à primeira vista, foi a capa. Não lhe consegui resistir. O chapéu tão mimoso a evocar tardes de primavera, passeios em jardins floridos e chá das cinco numa bela esplanada... e o gato? Que ternura! Todo enredado na lã (aquilo não é nenhum cordel, eheheh). O meu conto favorito é "Fé e Esperança vingam-se" e que bela vingança! É assim mesmo meninas, quem trata mal os outros, sobretudo os mais indefesos, merece um belo pontapé .... onde calhar! Nada das tretas da justiça divina, queremos justiça aqui e agora! 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Rapaz de Olhos Azuis (Blueeyedboy)

Sinopse
"Ele conhece-a há uma eternidade e, contudo, ela nunca o viu. É como se fosse invisível para a mulher que ama. Mas ele vê-a a ela: o cabelo; a boca; o rosto pequeno e pálido; o casaco vermelho-vivo na neblina matinal, como algo saído de um conto de fadas.
Até agora, ele nunca se apaixonou. Assusta-o um pouco: a intensidade dessa emoção, a maneira como o rosto dela se intromete nos seus pensamentos, a maneira como os seus dedos traçam o nome dela, a maneira como tudo, de algum modo, conspira para que ela nunca lhe saia da cabeça...
Ela não sabe de nada, claro. Tem um ar muito inocente, com o seu casaco vermelho e o seu cesto. Mas por vezes os maus não se vestem de preto e por vezes uma menina perdida na floresta é bem capaz de fazer frente ao lobo mau..."

Impressões
Assustador! Arrepiante! Mesmo como eu gosto! Ao longo da história, nunca sabemos muito bem quem é quem, ou melhor, quando achamos que já deslindámos os mistérios.... ocorre outra reviravolta e lá temos que refazer todo o nosso raciocínio.
O "rapaz dos olhos azuis" vive, por assim dizer, uma existência virtual. Isto é, passa o seu tempo na internet onde, a cada nova entrada no seu webjournal, se reinventa. Ele conta, para uma plateia virtual, os seus crimes perfeitos e, ao mesmo tempo, vai deixando entrever determinados aspetos da sua vida. Mas não está só nesta forma de vida... a dada altura, começamos a ler também o webjournal de uma nova personagem que dá pelo nome de Albertine. Mas quem será esta Albertine e o que quererá do nosso rapaz? O final do livro é totalmente inesperado e com um toque psicótico, o que me deliciou! 

Um "cheirinho":
"Era uma vez uma viúva que tinha três filhos que se chamavam Preto, Castanho e Azul. Preto era o mais velho, mal-humorado e agressivo. Castanho era o do meio, tímido e desinteressante. Mas Azul era o preferido da mãe. E era um assassino."

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Danças & Contradanças (Jigs & Reels)

Sinopse
" As sarcásticas histórias de Danças & Contradanças podem ser resumidas em duas palavras: malévolas e maliciosas. Como em muitos dos seus romances, Joanne Harris consegue combinar de uma forma única situações e personagens comuns - e até banais - com o extraordinário e o inesperado. Mais do que nunca, a autora dá largas à sua imaginação e apresenta-nos uma exuberante e prodigiosa caixa de Pandora que contém tudo o que é extravagante, estranho, misterioso e perverso. De bruxas suburbanas a velhinhas provocadoras, monstros envelhecidos, vencedores da lotaria suicidas, lobisomens, mulheres-golfinho e fabricantes de adereços eróticos, estas são vinte e duas histórias onde o fantástico anda de mãos dadas com o mundano, o amargo com o doce, e onde o belo, o grotesco, o sedutor e o perturbador estão sempre a um passo de distância."

Impressões
Quando não tenho muito tempo para ler mas não quero abdicar deste meu direito, dou preferência a livros de contos. Geralmente, dá para ler uma história por dia e não fico com aquela ansiedade para saber o que é que vai acontecer a seguir. Embora tenha gostado de todos, os meus favoritos são:"O Curso de 1981", "A pequena sereia" e "Nunca beijes um vampiro" (um bom conselho, digo eu). Neste livro (mais uma vez) a autora consegue combinar de forma espetacular todos aqueles ingredientes que transformam a história mais banal em algo que entusiasma o leitor. Adorei! Decerto que o voltarei a ler!

Um "cheirinho"...
" Quando escrevi o meu primeiro livro, The Evil Seed, impressionou-me o facto de a literatura de vampiros ser extremamente elitista. O cenário é sempre romântico. Os sugadores de sangue são invariavelmente atraentes, aristocráticos e elegantes. O que evidentemente levanta uma questão: onde estão os outros vampiros? Os vampiros simples e despretensiosos, os vampiros da classe operária, os vampiros com uma relações públicas incompetente?"

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A Praia Roubada (Coastliners)

Autora: Joanne Harris

Sinopse
"Encerradas numa pequena ilha na costa do Atlântico, duas comunidades vivem de costas voltadas entre si. Enquanto La Houssiniére se transformou numa cidade próspera devido ao turismo que a única praia de toda a ilha lhe proporciona, Les Salants permaneceu esquecida no tempo, habitada apenas por pescadores e marinheiros que, tal como a vida que levam, são rudes e amargos. Mado nasceu em Les Salants, mas cedo partiu com a mãe para Paris. Após a morte desta, a jovem decide voltar à ilha da sua infância e reencontrar o pai. Mas o regresso ao passado não é fácil. A ilha, constantemente varrida por um vento inclemente, encerra em si todo um universo de mistérios e contradições, inacessíveis a uma "desconhecida". Mas, estranhamente, tal parece não ter acontecido com Flynn, um jovem irlandês que, embora recém-chegado, é alvo da afeição e da confiança de todos, até do pai de Mado, um homem cujo coração está fechado para o mundo e que se mantém teimosamente recolhido num silêncio sepulcral. Face a uma comunidade fechada, supersticiosa e apostada em manter acesos ódios ancestrais, Mado decide desafiar a sorte e as marés e consegue vencer o orgulho e as crenças dos habitantes de Les Salants. Juntos, vão tentar mudar o futuro da povoação e o seu próprio destino. Para Mado, esta vai ser uma incursão no amor e o (re)encontro com os valores familiares e comunitários. Poderá um castelo de areia sobreviver às marés?"

Impressões
É uma história encantadora, que vai para além do que é óbvio e que nos transporta para cenários com "sabor" a verão.  Entre os habitantes das duas ilhas existem grandes rivalidades e ódios de estimação, o que conduz a comportamentos menos dignos. Mas, dentro de cada ilha, também encontramos os mesmos problemas, principalmente em Les Salants, um comunidade muito encerrada sobre si mesma. Contudo, Mado (a protagonista) consegue lidar com estas dificuldades e "salvar" a ilha e os seus habitantes da miséria, apatia e ostracismo a que, em parte, se tinham votado. 
Mais uma fez, Joanne Harris fez magia!

domingo, 23 de setembro de 2012

Maligna (The Evil Seed)

Autora: Joanne Harris
Editora: ASA
Ano: 2011

Sinopse
"Alice e Joe têm em comum a paixão pela arte - ela é pintora e ele é músico - e, em tempos, estiveram também unidos pelo amor que sentiam um pelo outro. As suas vidas seguiram diferentes rumos, mas o reencontro é inevitável. Joe tem agora uma nova namorada, Ginny, que provoca em Alice uma intensa perturbação. A beleza etérea e singular de Ginny repele-a, e o seu sinistro grupo de amigos atemoriza-a.
Os hábitos estranhos da jovem deixam Alice suficientemente inquieta para levar a cabo uma investigação por conta própria. E o que descobre vai mudar tudo. Ginny tem em seu poder um velho diário que conta a trágica história de amor de Daniel Holmes e Rosemary Virginia Ashley, cujo poder de sedução não conhece limites. Só que Rosemary morreu há meio século... mas o seu magnetismo não está certamente extinto.
À medida que as histórias se entrelaçam, passado e presente fundem-se; Alice apercebe-se de que o seu ódio instintivo em relação à nova namorada de Joe pode não se dever apenas ao ciúme, já que algo em Ginny a arrasta irremediavelmente para um universo de insondável obsessão, vingança, sedução e sangue..."

Impressões
Foi com "Chocolate" que descobri esta autora e, a partir daí, li todos os livros que foram publicados em Portugal. Considero-a uma excelente contadora de histórias, daquelas que nos mantêm atentos desde a primeira até à última palavra. Este livro não é exceção. Mais parece um conto de terror (em certa medida faz-me lembrar as histórias de Edgar Allen Poe) dada a natureza de certas personagens. Na verdade, a "Maligna" é a líder de uma espécie de vampiros (criados por ela), sendo ela própria a encarnação de todo o mal, corrompendo os corruptíveis... O fascinante é que começamos com duas histórias paralelas (passadas em épocas diferentes) que, pouco a pouco, se vão interligando e desvendando os segredos. Algumas descrições são demasiado sangrentas, o que me deixou um bocado mal disposta (é verdade, sou daquelas que não suporta ver cabeças a rolar e sangue a jorrar) mas, aparte isso, gostei do modo como a Alice enfrentou esta praga de vampiros arraçados de zombies.
O final do livro é mesmo como eu gosto, um "cheirinho" de mistério e a dúvida...(Não conto!Não conto!).