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domingo, 6 de março de 2016

"As sufragistas"

É o filme certo para se ver na véspera do dia oito de março. O guião e as atrizes fazem justiça a esta luta. Custa a acreditar que ainda há quem não saiba em que consistiu o movimento sufragista, que há quem não valorize o sacrifício que gerações de mulheres fizeram para criar leis mais justas. Ainda agora, há países em que as mulheres não têm direito ao voto, em que são menos do que nada... 
Sempre que voto, agradeço a estas guerreiras que o tornaram possível para mim, neste canto da Europa. Por isso, não entendo quem opta por abdicar desse seu direito/dever, por simples preguiça... tal como não entendo tantas outras coisas... como é que as mulheres continuam a educar os seus filhos para eternizarem o ciclo de injustiças sobre as mulheres? Como é que escolhem ser submissas? Afinal, como diz a "Maud", não estamos em todos os lares? Não somos metade da população mundial (segundo as últimas estatísticas, até somos mais de metade)? Então, o que é que se passa? 
Tenho vontade de comentar algumas cenas do filme, mas não quero  ser uma "estraga-filmes", por isso, só posso recomendar que o vejam, vale mesmo a pena. De facto, há muito tempo que não via um filme que valesse a pena ser visto. Oxalá isto seja um bom prenúncio.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A Elizabeth desapareceu (Elizabeth is missing)

A Elizabeth não é a única desaparecida nesta estória. A protagonista, Maud, também vai desaparecendo aos poucos, página após página, à medida que a maldita A vai ganhando terreno. Este livro é belo, na medida em que fala de solidariedade e de amizade... mas também é muito triste e doloroso, principalmente para quem lidou de perto com esta doença. De tal forma, que interrompi a leitura várias vezes, levando semanas a recomeçar. Nos seus devaneios, confundindo o passado com o presente, Maud vai-nos dando a conhecer os acontecimentos mais marcantes da sua vida. É enternecedor ver como ela, agora tão afetada pela doença, vê o mundo e interage com ele. O final é lindo e revela aquilo que um leitor atento adivinha a partir do meio do livro.
Esta é talvez a doença que mais temo, talvez porque nos rouba de nós próprios e, quando isso acontece, o que sobra?


quarta-feira, 5 de março de 2014

A rapariga que roubava livros ( The Book Thief)

"Vira o irmão morrer com um olho aberto, e o outro ainda em sonhos. Despedira-se da mãe e imaginara a sua solitária espera por um comboio de volta a casa e ao esquecimento. Uma mulher de arame deixara-se cair, com o seu grito a percorrer a rua, até tombar para o lado como uma moeda a rolar que perdeu o impulso. Um jovem enforcara-se numa corda feita de neve de Estalinegrado. Vira um piloto de bombardeiro morrer numa caixa metálica. Vira um judeu, que por duas vezes lhe oferecera as mais belas páginas da sua vida, marchar para um campo de concentração. E no centro de tudo isso, viu o Fuher a gritar as suas palavras e a passá-las em volta."

Impressões
Pensei ver o filme e só depois ler o livro, para evitar eventuais deceções. Agora que acabei de ler o livro, decidi que só verei o filme quando este passar para o videoclube... é que se o filme for  como o livro, vou chorar quase todo o tempo... tanta beleza é avassaladora! 
Sempre me fez muita confusão como é que um homenzinho aparentemente insignificante como o Hitler, conseguiu fazer os estragos que fez! Como é que ele conseguiu que todos aqueles alemães o seguissem cegamente e cometessem todas aquelas barbaridades? Depois deste livro, percebi um pouco melhor como o conseguiu e isso assustou-me ainda mais. Aquela besta era extremamente inteligente e sabia jogar com as palavras e com os medos e as ambições daqueles alemães. Deitou a semente em solo fértil (a Alemanha miserável do final dos anos vinte) e deixou-a germinar lentamente, regando-a  e fertilizando o solo regularmente. A semente, assim cuidada, cresceu numa espiral de ódios, perseguições, tortura e morte. 
Mas esta é a história de uma rapariga alemã, com olhos da "cor errada", uma "sacudidora de palavras",  que encontrou nos livros a força para continuar a viver. Fico à espera do filme!

domingo, 26 de janeiro de 2014

Mulherzinhas (Little Women)

Foi um dos meus primeiros livros de gente grande. Tinha uns dez ou onze anos quando mo ofereceram e foi amor à primeira vista. Li e reli aquelas páginas tantas vezes, que o livro está cheio de marcas deste afeto...  a fita-cola que o mantém inteiro é a prova disso. A minha personagem favorita é a Jo. Identifiquei-me de imediato com ela pois, tal como ela, se me querem ver feliz é levarem-me a uma livraria (no caso da Jo, a biblioteca da tia March). Apesar das privações impostas pela guerra civil americana (a ação decorre entre 1861 e 1865), as quatro irmãs March são muito unidas e, cada uma a seu modo, têm os seus próprios sonhos. Inventam jogos e distrações para os seus tempos de lazer. Lembram-se das peças de teatro que encenaram e dos clubes que fundaram? Isto só mostra que a imaginação é uma aliada poderosa, principalmente nos piores momentos. Apesar da família ter perdido toda a sua fortuna, a educação das meninas March não foi, de algum modo, descurada, tendo em conta os padrões da época. A dada altura, sobretudo no inverno, tive inveja da Amy e da Beth por estas estudarem em casa, eheheh. 
Mais tarde, foi publicado o livro "As Mulherzinhas Crescem", dando seguimento à aventura das quatro irmãs. Para dizer a verdade, foi tudo muito previsível. Mas o desfecho que mais me dececionou foi o da Jo. Na minha opinião, ela não deveria ficar "amarrada" a marido e filhos, mas sim ser uma viajante intrépida, uma espécie de repórter de viagens do século dezanove...  Bom, talvez não fosse tão credível para o contexto da época...

A mulher que decidiu passar um ano na cama (The woman who went to bed for a year)

Sinopse
"No dia em que os seus filhos gémeos saem de casa para ingressarem na faculdade, Eva sobe para o seu quarto e, sem tirar a roupa ou os sapatos, deita-se na cama e ali permanece. Durante dezassete anos quis gritar ao mundo que a deixasse em paz, e esta é finalmente a sua oportunidade. (...)"

Impressões
Ora aqui está uma excelente forma de protesto! Mas atenção, só funciona se houver uma data de otários dispostos a servir uma pseudo-mártir. E os otários são a mãe, a sogra, um amigo e até o marido traidor! Eva nem sabe porque é que recolheu à cama, nem sabe se está zangada com o mundo ou consigo mesma, por ter usado uma vida familiar pouco satisfatória, como desculpa para não perseguir os seus sonhos. Enquanto a sua paranóia se agrava, espalham-se rumores de que Eva terá poderes paranormais e, desta forma, está lançada a confusão. Um bando de lunáticos, desejosos de conhecer a "Santa", acampa à sua porta, destruindo a paz que Eva tanto queria alcançar. De início, simpatizei com esta personagem e com a sua tomada de posição, na verdade, uma espécie de vingança contra os seus familiares oportunistas. Mas, pouco a pouco, Eva vai-se tornando tão oportunista e tirana quanto os demais. Digamos que todos os personagens têm aquilo que merecem, até mesmo Poppy, a pequena psicopata, embora não pareça.

sábado, 9 de março de 2013

Uma Casa de Família (The Novel In The Viola)

Sinopse
"Na primavera de 1938, a ameaça nazi paira sobre a Europa.
Em Viena, a cosmopolita família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. A decisão de fugir do país é dolorosa mas inevitável. Não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua subsistência e segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada, levando consigo apenas algumas roupas e um violino.
Em Tyneford, ela tenta encontrar o seu lugar na rígida hierarquia da casa. É agora uma das criadas, mas nunca antes trabalhou. Tem a educação e os hábitos da classe alta, mas não pertence à aristocracia. Enquanto areia as pratas e prepara as lareiras, usa as magníficas pérolas da mãe por baixo do uniforme. Sabe que deve limitar-se a servir, mas não consegue evitar o escândalo ao dançar com Kit, o filho do dono da casa. Juntos vão desafiar as convenções da severa aristocracia inglesa numa história de amor que tocará todos os que os rodeiam.
Mas o mundo está a mudar. E Elise tem de mudar com ele. Em Tyneford, ela vai aprender que é possível ser mais do que uma pessoa. Viver mais do que uma vida. Amar mais do que uma vez."

Impressões
Adorei! Adorei! Adorei! Apesar de já ter lido muitos romances sobre esta época negra da nossa história, nunca deixo de me  surpreender com as diferentes abordagens do mesmo tema.
"The Novel In The Viola" (quando terminei a leitura, achei que o título em inglês está mais condizente com a narrativa) é um livro cativante e comovente! Lindo! Lindo! Fala dos que "ficaram para trás", daqueles que, embora não estivessem diretamente envolvidos na guerra, também tiveram a sua quota-parte de sofrimento. 
Pelas descrições, Tyneford parece uma região encantadora e encantada... o último reduto de paz e beleza num mundo caótico e em mudança. Até a mansão, apesar de toda a sua decadência, parece irradiar magia, tal é o poder da narrativa desta autora.
Adorei todas as personagens, mas a minha favorita é o senhor Rivers, um verdadeiro gentleman (será que é assim que se escreve?), a fazer recordar os heróis dos romances de Jane Austen.
Este é um dos poucos livros que voltarei a ler, sem dúvida alguma!

Um cheirinho...
"Tinha de deixar a Áustria, Anna e o apartamento com as suas janelas altas com vista para os álamos que brilhavam como fogo cor-de-rosa. Tinha de deixar as tulipas encarnadas no parque em abril, e os vestidos brancos rodados no Baile da Ópera.
- Tens de ir - disse Anna.
-Eu sei - respondi, e, ao dizê-lo, apercebi-me de que a minha infância luxuosa e prolongada chegara ao fim. Essa Elise, a rapariga que eu era então, diria que sou uma velha, mas está enganada. Eu ainda sou ela. Estou de pé na cozinha, com a carta na mão, a observar os outros, e sei que tudo tem de mudar."

Um recado...
"Por favor, tratem esta igreja e estas casas com cuidado; deixámos os nossos lares, onde muitos de nós vivem há gerações, para ajudar a vencer a guerra de modo a que os homens possam continuar a ser livres. Voltaremos um dia e agradecemos que cuidem bem da aldeia."

Aviso afixado à porta da igreja de Tyneford pelos aldeões, antes de partirem, na véspera de Natal de 1941.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A Praia Roubada (Coastliners)

Autora: Joanne Harris

Sinopse
"Encerradas numa pequena ilha na costa do Atlântico, duas comunidades vivem de costas voltadas entre si. Enquanto La Houssiniére se transformou numa cidade próspera devido ao turismo que a única praia de toda a ilha lhe proporciona, Les Salants permaneceu esquecida no tempo, habitada apenas por pescadores e marinheiros que, tal como a vida que levam, são rudes e amargos. Mado nasceu em Les Salants, mas cedo partiu com a mãe para Paris. Após a morte desta, a jovem decide voltar à ilha da sua infância e reencontrar o pai. Mas o regresso ao passado não é fácil. A ilha, constantemente varrida por um vento inclemente, encerra em si todo um universo de mistérios e contradições, inacessíveis a uma "desconhecida". Mas, estranhamente, tal parece não ter acontecido com Flynn, um jovem irlandês que, embora recém-chegado, é alvo da afeição e da confiança de todos, até do pai de Mado, um homem cujo coração está fechado para o mundo e que se mantém teimosamente recolhido num silêncio sepulcral. Face a uma comunidade fechada, supersticiosa e apostada em manter acesos ódios ancestrais, Mado decide desafiar a sorte e as marés e consegue vencer o orgulho e as crenças dos habitantes de Les Salants. Juntos, vão tentar mudar o futuro da povoação e o seu próprio destino. Para Mado, esta vai ser uma incursão no amor e o (re)encontro com os valores familiares e comunitários. Poderá um castelo de areia sobreviver às marés?"

Impressões
É uma história encantadora, que vai para além do que é óbvio e que nos transporta para cenários com "sabor" a verão.  Entre os habitantes das duas ilhas existem grandes rivalidades e ódios de estimação, o que conduz a comportamentos menos dignos. Mas, dentro de cada ilha, também encontramos os mesmos problemas, principalmente em Les Salants, um comunidade muito encerrada sobre si mesma. Contudo, Mado (a protagonista) consegue lidar com estas dificuldades e "salvar" a ilha e os seus habitantes da miséria, apatia e ostracismo a que, em parte, se tinham votado. 
Mais uma fez, Joanne Harris fez magia!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Noites de Chuva e Estrelas (Nights of Rain and Stars)

Autora: Maeve Binchy
Editora: Círculo de Leitores

Sinopse
" Seis desconhecidos, sem nada em comum a não ser a necessidade de fugir de casa, conhecem-se numa taberna na aldeia grega de Aghia Anna. Fiona é uma jovem enfermeira irlandesa cuja família se recusa a deixá-la viver a sua vida. O académico americano Thomas sente falta do filho e receia que a ex-mulher o afaste dele. Elsa é alemã e abandonou a carreira de apresentadora de televisão, mas alguém do seu passado não quer deixá-la partir. O tímido inglês David está determinado a enfrentar o pai dominador. Aos quatro junta-se Andreas, o dono da taberna, cheio de saudades do filho que partiu para a América nove anos antes, e Vonni, uma irlandesa há muito radicada na região. Eis a história de um verão que vê nascer amizades e amores entre seis pessoas que a vida juntou sob a chuva e as estrelas das noites gregas..."

Impressões
Esta é a história de várias pessoas que fugiram, literalmente, de casa e das suas rotinas e que encontraram abrigo nesta aldeia, que funciona como local de cura. Pouco a pouco vai sendo construída uma teia de amizades entre o grupo dos forasteiros e alguns habitantes da aldeia, também eles com os seus segredos. 

domingo, 11 de novembro de 2012

Solstício de Inverno (Winter Solstice)

Autora: Rosamunde Pilcher
Editora: Círculo de Leitores

Sinopse
"Ao abandonar Londres por uma bonita aldeia do Hampshire, Elfrida Phipps sente-se em casa. Tem uma pequena vivenda, o fiel cão Horace, e a amizade dos vizinhos Blundell - em especial a de Oscar - para garantir que os seus dias incluem companhia e independência. Mas uma pequena tragédia imprevista perturba a tranquilidade de Elfrida. Ela refugia-se numa casa na Escócia, que se torna um íman para vários vadios. Parece a receita certa para a calamidade. Mas o grupo acaba por tornar-se maior do que a soma das suas partes e Elfrida vê-se no centro de um Natal bastante mágico.".

Impressões
Adorei este livro ou ele não tivesse sido escrito pela inesquecível Rosamunde Pilcher, a autora do clássico "Os apanhadores de conchas"! 
"Solstício de Inverno" é uma história deliciosa, repleta de personagens fortes e de lugares encantadores. A descrição das paisagens é tão rica e detalhada que é como se estivéssemos a ver um quadro (a capa desta edição captou o espírito do livro) e, confesso, despertou em mim uma vontade irresistível de viajar por Inglaterra e Escócia (era bem bom, era...).
O mais encantador é o facto de a personagem principal, Elfrida, ser uma senhora na casa dos sessenta, atriz reformada, que decide mudar o rumo da sua vida. E a sua vida vai mesmo mudar!!! De Londres até à aldeia localizada no Hampshire e, mais tarde, até à Escócia, Elfrida vai fazendo novas (improváveis) amizades e mostrando que estamos sempre a tempo de tentar ser felizes!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Castelo de Vidro (The Glass Castle)

Autora: Jeannette Walls

Sinopse
"Durante duas décadas, Jeannette Walls, uma conhecida jornalista nova-iorquina, bonita, brilhante e bem sucedida, escondera as suas raízes. Crescera com pais cujos ideais e inconformismo foram ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição para eles e para os filhos. No princípio viviam como nómadas, mudando de uma cidade para a outra, habitando velhos armazéns abandonados ou acampando nas montanhas. 
Rex, um homem brilhante e carismático, despertava a imaginação dos filhos ensinando-lhes física, geologia e, acima de tudo, a encarar a vida sem medos, enquanto fazia elaborados planos para construir um "castelo de vidro" onde todos viveriam felizes. Isto quando estava sóbrio, o que nem sempre acontecia. A mãe, que pintava e escrevia, não suportava a rotina diária e intitulava-se a si própria "viciada em excitação". Cozinhar uma refeição que seria consumida num quarto de hora estava fora de questão quando podia pintar um quadro que duraria para sempre. Jeannette, as duas irmãs e o irmão tinham de sobreviver sozinhos, tentando arranjar comida, limpando a casa e encorajando os pais a trabalhar enquanto se amparavam mutuamente e procuravam dar alguma normalidade à vida errática a que eram forçados."

Impressões
Esta história é avassaladora! É dolorosamente real! No entanto, é contada sem dramatismo e sem autocomiseração. Fala de miséria e de desespero, mas também fala de coragem e de perseverança ... e de escolhas! A escolha de viver como sem-abrigo e a escolha de não se deixar vencer por uma infância e adolescência difíceis (não era esta a palavra que procurava, mas enfim...). É claro que tem "cenas" comoventes, como aquela em que o pai lhe oferece uma estrela do céu por não ter dinheiro para lhe comprar um presente. Mas estes momentos compensarão todos os anos de negligência a que a autora e os irmãos foram sujeitos? A verdade, é que os pais eram felizes vivendo como viviam e gostavam muito dos filhos... 
Recomendo!!!!!!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ema (Emma)

Autora: Jane Austen

Sinopse
"Ema é uma herdeira rica, inteligente e bela. Optimista, consciente da sua superioridade, segura de si mesma, fiel respeitadora das "conveniências" - enfim, o tipo acabado da "verdadeira senhora" -, passa o tempo a combinar casamentos "convenientes" entre amigos e protegidos.
Um dia, sem arranjos prévios, ela própria é pedida em casamento por Mr. Knightley. Ema não assume um compromisso, mas não o desencoraja, debatendo-se com um drama interior: o pretendente é amado por uma das suas melhores amigas, a qual Ema deseja ver feliz e "convenientemente" casada. No íntimo, porém, tem um sentimento de aversão ao casamento de Harriet com Knightley e não pelas questões de conveniência que tanto respeita: é que ela própria ama Knightley.
Ema cede finalmente a um amor que tem razões mais fortes do que a própria razão."

Impressões
Jane Austen é uma das minhas escritoras favoritas de todos os tempos. As suas personagens são, quase sempre, mulheres de forte personalidade que, de uma forma ou de outra, se destacam na sociedade da época. 
Este livro foi publicado, pela primeira vez, em 1815! Por isso, é bastante interessante ver como é que Jane Austen faz uso de "armas" como a ironia e o humor para, no fundo, criticar a sociedade inglesa e expor a sua hipocrisia. 
"Ema" é um romance delicioso, daqueles que apetece ler vezes sem conta e que nos fazem sentir em paz. A protagonista, Ema, não é mais (a meu ver) do que uma jovem ligeiramente (bem, talvez muito) snob e muito, muito entediada, que se diverte a emparelhar pessoas. No entanto, revela-se muito perspicaz na avaliação de caráter que faz das outras pessoa. O seu pretendente, Mr. Knightley, é paciente, sensato e sempre adorável no trato com os outros... é mesmo perfeito (só mesmo num romance de Jane Austen)! Recomendo!!!!!!!

sábado, 27 de outubro de 2012

Uma Casa Na Pradaria (Little Town on the Prairie)

Sinopse
"A grande floresta começava a estar demasiado habitada. Assim, o Pai vendeu a casinha e construiu uma carroça coberta. Iriam viajar para os territórios índios!"
(...)
"1860. A história de uma família. O dia-a-dia, as pequenas e grandes alegrias, tendo como pano de fundo a paisagem áspera do Oeste americano. Personagens que nos ficam na memória pela sua humanidade e pela sua coragem."
Impressões
Quem nunca viu, pelo menos, um episódio da série "Uma casa na pradaria?" Eu vi todos! Várias vezes! Como eu adorava aquela família e as suas aventuras...principalmente, a pequena Laura Ingalls. Assim que pude, comprei todos os livros da coleção. Estes são baseados nos diários escritos pela própria Laura Ingalls. Portanto, os guiões eram baseados em acontecimentos reais, o que só me aguçou a vontade de ler os livros. Fiquei maravilhada com o que li! Verdadeiras histórias de sobrevivência num meio árido e, quase sempre, cruel. Muitas vezes, fiquei verdadeiramente indignada com todas as "desgraças" que aconteciam a esta família... Caramba, pessoas tão boas não mereciam tanto infortúnio...mas esta era a realidade e não podia ser mudada (só na tv é que tudo acabava sempre bem). Mesmo assim, adorei cada minuto que passei a ler estes livros! :))

sábado, 20 de outubro de 2012

Mrs. McGinty está morta (Mrs. McGinty`s Dead)

Autora: Agatha Christie

Sinopse:
"Mrs. McGinty está morta. Como é que ela morreu? De joelhos como eu.
Assim reza um jogo infantil... infelizmente para a verdadeira Mrs. McGinty, o que deveria ser apenas uma brincadeira de crianças assumiu contornos bem reais. Foi encontrada morta, os seus aposentos destruídos. O assassino procurava algo com tal desespero que chegou a levantar as tábuas do soalho. O que terá motivado tão bárbaras acções? Poderá a resposta estar num recorte de jornal que a vítima guardara dois dias antes da sua morte? Com um assassino desesperado à solta, Hercule Poirot terá de se manter vivo a todo o custo para descobrir...".

Impressões
Este livrinho foi a minha companhia na feira de artesanato que decorreu hoje, aqui na nossa terrinha... fiquei apenas a "tomar conta" da banquinha do Fantasilab (infelizmente, sou um bocado desastrada como artesã)... 
Mais uma vez, adorei a história! E que bom, voltar a reencontrar o grande detetive Hercule Poirot e outra grande amiga, a despistada mas muito querida Ariadne Oliver! Podem imaginar o que acontece quando estes dois se juntam para desvendar um crime? É imperdível! Vale a pena!!!!!
O marcador de livros, comprado na feirinha, foi confecionado pelo Fantasilab (http://www.fantasilab.blogspot.pt/).

domingo, 30 de setembro de 2012

África Acima

Autor: Gonçalo Cadilhe
Editora: Oficina do Livro
Ano: 2007

"Começo hoje uma longa e imprevisível travessia do continente africano, um devaneio orientado por um simples objectivo: regressar a casa. É este o meu projecto: atravessar África. Prosseguir do Sul para o Norte utilizando as estradas do continente, recorrendo aos transportes públicos, aos autocarros maltratados pelos anos, aos comboios que ainda andam, pedindo boleia, viajando com as pessoas da terra - em terra onde estiver, farei como vir fazer. Excluo o transporte aéreo, voar sobre África não é viajar por África. Aliás, voar não é viajar."

Impressões
Que aventura fabulosa! Que relatos deliciosos de uma viagem épica! "Roubei" este livro da biblioteca do meu pai... andava à procura de uma história que me apetecesse ler, nem eu sabia bem o quê, quando "tropecei" neste book. Foi o texto da capa que me atraiu, isso e as fotos que acompanham os relatos feitos pelo escritor acerca da sua jornada"(...) em que as amizades, o humor, a tolerância e a humildade conseguem vencer a miséria, a corrupção, as estradas desfeitas e o calor brutal de uma viagem épica por um continente impressionante". Vale mesmo a pena ler!!!!!!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O gosto proibido do gengibre (Hotel on the Corner of Bitter and Sweet)

Autor: Jamie Ford
Editora: Porto
Ano: 2012

Sinopse
"1986. Henry Lee, um americano de ascendência chinesa, junta-se à multidão que se encontra à porta do Hotel Panama, outrora o ponto de encontro da comunidade japonesa de seattle. O hotel esteve entaipado durante décadas, mas a sua nova proprietária descobriu na cave poeirenta os pertences das famílias japonesas que, após o ataque a Pearl Harbor, foram enviadas para campos de internamento. Quando uma sombrinha de bambu é exibida, Henry recua quarenta anos e recorda Keiko, uma jovem de ascendência japonesa com quem criou um profundo laço de amizade e de amor inocente que ultrapassaram os preconceitos ancestrais que opunham as duas comunidades. Quando Keiko e a sua família são enviados para um campo, apenas resta aos dois jovens esperar que a guerra termine para que as promessas que fizeram um ao outro se possam finalmente cumprir. Passados quarenta anos, Henry, agora viúvo, ainda tenta encontrar uma explicação para o vazio que o acompanhou desde então; para a atitude distante de um pai que nunca entendeu; para a relação difícil com o filho; e, sobretudo, uma explicação para as suas próprias escolhas."

Impressões
Este livro foi-me emprestado pela minha amiga Dora (obrigada!) na semana passada. Pensei guardá-lo para ler nas férias (faltam só quatro dias!!!!) mas, não consegui resistir... e, ainda bem, pois é simplesmente fabuloso! 
Deixo aqui um "cheirinho": 
"(...)Acho que estou habituada às provocações na escola. Afinal, o meu pai sempre disse que não passavam de miúdos parvos que haveriam de implicar com os mais fracos e com as raparigas, independentemente da zona da cidade de onde viessem. Ser japonês ou chinês só facilita a perseguição, tornamo-nos alvos fáceis. Mas, a esta distância de casa, num sítio cheio de adultos...
-Achavas que os adultos se comportariam de outra forma - terminou a frase de Keiko, sabendo por experiência própria que por vezes os adultos eram capazes de ser piores. Muito piores."
RECOMENDO!!!!!!!!!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Nome de código LEOPARDA (Jackdaws)

Autor: Ken Follett
Editora: Casa das Letras
Ano: 2011

Sinopse
"Maio de 1944, duas semanas antes do dia D: a Resistência francesa empreendeu um ataque falhado a um castelo que alberga uma central telefónica alemã vital para os movimentos das suas tropas. Impõem-se medidas drásticas e Flick Clairet, uma jovem agente britânica, surge com um plano ousado: lançar-se de pára-quedas, em França, acompanhada por uma equipa exclusivamente feminina (Jackdaws). Objectivo: disfarçarem-se de empregadas de limpeza francesas e... entrarem no castelo. Delirante ou não, o plano parece ser a única alternativa. O certo é que Rommel nomeou o implacável coronel Dieter Franck para esmagar a Resistência francesa. E ele já tem o seu primeiro alvo: Flick Clairet..."

Impressões
Um dos melhores livros deste autor! Gostei bastante! Eu sou fã de histórias passadas neste tenebroso período, principalmente porque mostram que é possível resistir e operar a mudança (estou a falar da Resistência). Vi todas as séries sobre este tema que passaram na televisão (a maioria da BBC) e vibrei com as aventuras/desventuras dos heróis/heroínas. 
A princípio tive receio de que o enredo tivesse muita política e que o livro fosse maçador mas.... nada disso! A história flui desde a primeira página até à última e o difícil é parar de ler. É claro, pelo meio, tem descrições capazes de chocar quem não está acostumado a este tipo de histórias...Infelizmente, essas "cenas" foram baseadas em factos verídicos... 
Recomendo!!!!!!!!!

terça-feira, 26 de junho de 2012

A ilha debaixo do mar (La Isla Bajo El Mar)

Autora: Isabel Allende
Editora: INAPA
Ano: 2009

Sinopse
"Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulousse Valmorin, um fazendeiro rico, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento nos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e a conhecer as misérias dos amos, os brancos. 
Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorain, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde... e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria 
por arrasar a sua terra e atirá-los para longe dela.
Quando foi levada pelo seu amo para Nova Orleães, Zarité 
iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. 
Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e dos que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela."

Impressões
Trata-se de uma história comovente e arrebatadora, escrita com o estilo inconfundível de Isabel Allende. Tenho uma profunda admiração por esta escritora, não só por causa do que escreve, mas também pela sua história pessoal... é como se transformasse as lágrimas em narrativas mágicas, capazes de inspirar os leitores. Este livro fala de crueldade, mas fala também de esperança... de que outra forma se conseguiria explicar a sobrevivência, apesar de tudo, de Zarité? Como sempre, Allende apresenta-nos uma heroína ímpar. Recomendo!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 17 de junho de 2012

O Mundo Perdido (The lost world)

Autor: Michael Crichton
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1997

"O que realmente me interessa é saber se Deus teve alguma hipótese de escolha quando criou o mundo." 
Albert Einstein

Impressões:
Quem é que não viu o famoso filme "O Parque Jurássico" (acho que era este o nome)? Foi o filme que "inaugurou" a época da "dinossauromania"... fimes, bonecada, gravatas, etc, etc... Foi um bom filme de aventuras, os dinossauros pareciam reais e os heróis comportavam-se como tal. Evidentemente, tive que ler o livro que relata a aventura no Parque jurássico e depois o "Mundo Perdido" que é, no fundo, a continuação da aventura cinco ou seis anos depois. É uma boa história, cheia de ritmo e de suspense. Faz-nos pensar sobre quem serão os verdadeiros predadores...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Agatha Christie (An Autobiography)

Autora: Agatha Christie
Editora: ASA
Ano: 2011

Sinopse:
" Ficará para sempre conhecida como a Rainha do Crime.
Publicada em todo o mundo, os seus livros estão traduzidos para mais de cem línguas e venderam já mais de dois mil milhões de exemplares. Um sucesso à escala planetária, ao qual a autora contrapôs uma vida pessoal envolta em mistério.
Mas, embora se tivesse mantido afastada das luzes da ribalta, escreveu secretamente uma autobiografia.
Publicada apenas após a sua morte, revelou-se tão fascinante que foi imediatamente considerada a sua melhor obra!
Com rara paixão e audácia, Agatha Christie fala-nos sobre a sua infância no final do século XIX, as duas guerras mundiais que testemunhou, os dois casamentos e as experiências como escritora e entusiasta de viagens e expedições arqueológicas, em que participava ativamente com o segundo marido. Uma obra que revela a face humana e surpreendentemente extravagante por detrás da mais lendária escritora do século XX."

Impressões:
Os livros desta autora foram os primeiros que li, dentro do romance policial, e de que verdadeiramente gostei. Tinha talvez doze anos quando alguém me ofereceu o primeiro livro, cuja protagonista era a Miss Marple. Adorei!!!!!!!!! A partir dessa altura, todo o dinheiro que conseguia juntar era para comprar livros desta autora. É claro que toda a gente já sabia o que havia de me oferecer no Natal e no aniversário. Li todos os livros publicados em Portugal e vi  a "Ratoeira" (peça de teatro).
As suas histórias levaram-me a viajar, numa época em que isso estava totalmente fora do meu alcance, e mostraram-me outros universos. Adorei todos os seus "detetives"... as personagens pareciam ter vida própria e as descrições dos locais eram tão vívidas que parecia estar lá... ser mais uma do grupo (que alegria quando estive em Istambul e fui visitar alguns dos locais de que Agatha Christie falava nos seus livros.... e o expresso do Oriente...pois, não cheguei a viajar nele... ). 
Quando li esta autobiografia percebi melhor algumas das suas histórias (tenho relido os seus livros ao longo dos anos e, para mim, mantêm o mesmo encanto) e passei a admirar (ainda mais) esta mulher que teve a ousadia de perseguir os seus sonhos e de ser fiel às suas convicções. 
Obrigada Agatha Christie! 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Corações sem Dono (Lost dogs and lonely hearts)

"Para todos os voluntários que tanto se esforçam para que os cães perdidos e abandonados de todo o mundo tenham direito a uma segunda oportunidade"

Autora: Lucy Dillon
Editora: Porto
Ano: 2010

Sinopse:
" A londrina Rachel de 39 anos descobre que tudo na vida pode dar uma enorme volta quando e como menos se espera.
Tudo começa num momento conturbado: na mesma semana Rachel perde o namorado, o emprego, descobre o primeiro cabelo branco e é acusada pela irmã de ser egoísta por se ter esquecido do aniversário do sobrinho.
Como se não bastasse, de repente tem de se mudar de Londres para uma pequena cidade de província, no fim do mundo, onde uma tia lhe deixou em herança um canil a abarrotar de cães, uma casa enorme e uma montanha de dívidas.
Mas nem tudo é o que parece e nem só de problemas se fará este novo percurso de Rachel: graças aos amigos de quatro patas, muitos corações solitários vão descobrir valiosas lições sobre lealdade, companheirismo e amor incondicional."


Impressões:
Este livro é encantador! É certo que depois do primeiro livro do género (lembram-se do querido Marley?), foram publicados imensos livros sobre cães e gatos e a sua relação com os humanos. E depois? A verdade, é que quase todas as pessoas que estimam os animais, têm histórias fabulosas para contar. Eu mesma, tenho uma mascote fora do comum, com um comportamento fora do comum. 
Este livro retrata a enorme dedicação das pessoas (os voluntários do canil) para com estes cães abandonados e, muitas vezes, maltratados. E fala também de retribuição... da lealdade, companheirismo e amizade destes animaizinhos para quem os acarinha. Vale a pena ler e refletir sobre o assunto. Um cão não é um brinquedo... é um ser vivo e cada um com a sua personalidade. É preciso paciência para educá-lo e cuidar dele como merece. Nunca, mas nunca ofereça um cão como presente surpresa porque isso vai acabar com o pobre do animal abandonado... assim que perde a "gracinha" de ser cachorrinho...
E agora, divirta-se muito a ler este livro...